Eles são gigantes


Hamilton e Vettel fizeram um duelo frio e calculista, com vantagem para o inglês que igualou o recorde de poles de Schumacher e saiu da Bélgica mais próximo do alemão na classificação.

Ferrari forte, mas Hamilton é pole

A volta do recesso de meio de ano trouxe alguns pacotes aerodinâmicos de algumas equipes, mas não mudou em quase nada a ordem do grid.

De novidade mesmo, a volta de Massa depois de uma labirintite viral, mas não foi uma volta triunfal não. Logo no primeiro treino livre, ainda sem tempo cronometrado, o brasileiro perdeu o controle da Williams e bateu forte contra a proteção de pneus.

Nada físico com Massa, nem antes e nem depois do acidente, mas a equipe teve que trocar o chassi do carro e isso deixou o piloto do carro #19 fora também do segundo treino livre. Retornando sem muito motivo para comemorar o Massa.

Como nada de muito significativo aconteceu no desempenho dos carros, Ferrari e Mercedes alternaram a liderança nos treinos livres, com destaque para a equipe italiana.

Com casco novo, Massa começou mal o final de semana, mas saiu com um bom oitavo lugar.

Com casco novo, Massa começou mal o final de semana, mas saiu com um bom oitavo lugar.

Era de se esperar que os carros da Sauber ficassem de fora logo no Q1. Dito e feito. Em decadência, Kvyat também ficou entre os últimos, e a Williams, em uma pista em que o motor Mercedes deveria empurrar muito, errou na escolha dos pneus de Stroll e viu também Massa ser ceifado do Q2.

Não se esperava que a Haas passasse para o Q3, e a equipe realmente não passou, deixando seus dois pilotos no meio do grid. O mesmo aconteceu com os carros da McLaren, se bem que Alonso chegou muito perto do Q3, ficando com a décima primeira posição. Carlos Sainz foi outro que não passou para a fase final dos treinos. E os dois carros da Renault estavam lá, prontos para o Q3, com Palmer fazendo o sétimo tempo no Q2, é brincadeira?

Só que, com tanta penalidade, o grid ficou um pouco diferente.

Vandoorne, por exemplo, teve uma penalizaçãozinha de 65 posições no grid, por causa das trocas de motor e cambio. Ericsson, Wherlein e Palmer perderam cinco posições cada por troca da caixa de câmbio. Kvyat, mais vinte posições também por troca de elementos motrizes (bonito, né?) e Massa, que pra piorar a situação, foi punido em cinco posições por ignorar bandeira amarela no terceiro treino livre.

Voltando para a elite, Hamilton não deu nenhuma chance para a concorrência e não só cravou a pole como bateu o recorde da pista, com vem fazendo. Vettel, em uma “voltaça”, guardou lugar ao lado do inglês na primeira fila.

Os companheiros de ambos, Bottas e Raikkonen, ocuparam a segunda fila. Os dois carros da Red Bull, com Verstappen a frente de Ricciardo, ficaram com a terceira fila, logo a frente de Hülkenberg, de Renault, e dos dois carros da Force India, sempre juntinhos.

A classe estava novamente alinhada.

Ah, e Hamilton igualou o recorde de 68 pole positions de Schumacher, em seu 200º GP. Em suma, em cada três GPs que disputou, Hamilton largou na frente em um deles.


Force India em pé de guerra

Uma das largadas mais comportadas do GP da Bélgica foi vista este ano.

Largada limpa, com Hamilton e Vettel escapando

Largada limpa, com Hamilton e Vettel escapando

Hamilton conseguiu mergulhar na Eau Rouge com Vettel embutido em seu vácuo e conseguiu levar a disputa até o final da grande reta, na curva Les Combes, segurando a primeira posição. Bottas e Raikkonen, Verstappen e Ricciardo também se mantiveram em suas posições. O grande nome da largada foi Fernando Alonso, que saiu do décimo lugar para a sétima posição, superando os dois carros da Force India e a Renault de Hülkenberg.

No caso da Force India, a largada foi apenas o primeiro round de uma briga que vem se acentuando com o passar do campeonato. E foi uma disputa perigosa.

Os carros de Ocon, Pérez e Hülkenberg, estavam se apertando enquanto Alonso superava todos eles. Na parte interna da descida que antecede a Eau Rouge, Ocon viu um espaço e se colocou em plena condição de ultrapassagem sobre o companheiro de equipe. No entanto, Pérez espremeu perigosamente e o carro de Ocon e o toque foi inevitável. O Force India do francês chegou a levantar um pouco do chão, mas mesmo assim ele ganhou a posição.

Nas voltas seguintes, a vida de Alonso ficou mais difícil. Um a um, Hülkenberg, Ocon, Pérez e Grosjean foram deixando o piloto da McLaren para trás, para “alegria” dele pelo rádio.

Mas o mar laranja presente em Spa ficou muito desapontado com o abandono precoce de Max Verstappen. Mais uma vez, o motor Renault deixou o menino na mão e ele abandonou justamente em frente a toda torcida da “geral”. Como o carro ficou na grama ao lado da pista até ser retirado pelos fiscais, foi mostrada bandeira amarela no local, respeitada por todos, menos por Raikkonen, que acabou levando um stop & go de dez segundos. A câmera on board deixou claro o seu descumprimento à sinalização.

Começam então as paradas de box regulares para troca de pneus, enquanto Hamilton e Vettel mantinha uma diferença de dois segundos entre si, com vantagem sempre para o inglês.

E foi a Mercedes quem chamou primeiro os seus pilotos. Hamilton parou na volta treze e Bottas veio logo na volta seguinte, sem invenção ou táticas diferentes.

Mais uma volta é a vez de Vettel fazer a sua parada enquanto Hamilton já chegava em cima de Raikkonen e despachava o companheiro do alemão na Ferrari. Sem ter muito mais como ajudar, Raikkonen foi então para os boxes na volta seguinte, para a parada e cumprimento da punição que citamos antes.

Verstappen saiu cedo, para decepção dos torcedores que superlotaram Spa

Verstappen saiu cedo, para decepção dos torcedores que superlotaram Spa

Kvyat, que vem perdendo espaço na Toro Rosso, aparece a frente de Grosjean e Pérez na subida da Eau Rouge. O russo opta por seguir do lado externo da pista, dando espaço para a tentativa de ultrapassagem de Grosjean por dentro. Pérez, como o terceiro a opinar, resolve ir pelo meio dos dois e acaba ganhando ambas as posições, mas não sem deixar escapar o carro na freada da Les Source, o que lhe renderia uma punição de cinco segundos ao final da prova por ter tirado vantagem desta condição.

Enquanto Vettel voava e tirava diferença para Hamilton, Raikkonen estava quase quarenta e cinco segundos atrás de Hamilton, dez deles de punição, é verdade, mas mais de trinta segundos de pista é muita coisa.

Mary Kay não está gostando

Fernando Alonso seguia reclamando do desempenho do motor Honda pelo rádio, e acabou abandonando a corrida antes do final. Nem ficou para ver o safety-car provocado por mais uma disputa entre os carros da Force India.

Pois é. Mais uma vez, Ocon tentando ultrapassar Pérez e o mexicano se mostrando duro demais na disputa. E mais uma vez a situação beirou um acidente forte.

Acontece que Ocon saiu mais forte da freada da La Source e deu um “x” em Pérez, descendo o mergulho que antecede a Eau Rouge por dentro. E, de novo, Pérez não aceitou e espremeu o companheiro que, desta vez, teve o carro avariado por um toque no bico. No entanto, o maior prejudicado foi o próprio Pérez, que teve que amargar uma (longa) volta para trocar o pneu traseiro esquerdo furado no acidente. Pelo enorme número de detritos na pista, a direção de prova optou pelo safety-car.

Foi então que iniciou-se uma corrida para mais uma parada de box de todos os que estavam na pista. Aí sim, a estratégia da Ferrari foi diferente da adotada pela Mercedes. Enquanto Hamilton voltou de pneus macios, Vettel resolveu adotar os supermacios.

Ainda teríamos uma relargada em altíssima velocidade e todo mundo embolado, faltando onze voltas para o final. Pouco antes da relargada, o Magnussen (aquele do “suck my balls”) quase entra “com bola e tudo” na traseira da fila que ia a sua frente na chicane que antecede a entrada dos boxes. Mesmo como as rodas travadas, o dinamarquês conseguiu desviar e apenas tomar um susto.

Ocon e Pérez colocando suas vidas em risco.

Ocon e Pérez colocando suas vidas em risco.

Enfim, a relargada e Hamilton segura Vettel com maestria. O mesmo não se pode dizer de Bottas, que perdeu duas posições, para Ricciardo e para Raikkonen de uma só vez, em um lance que lembrou um pouco aquela famosa ultrapassagem de Mika Hakkinen sobre Schumacher com Zonta no meio de ambos.

Mesmo com mais dez voltas para o final, Hamilton parecia ter o controle total de Vettel em seu retrovisor, sem sofrer um ataque contundente, mas também sem abrir espaço para o rival. O resultado foi mais uma vitória do inglês no mundial, com Vettel em segundo e um surpreendente Ricciardo em terceiro. Raikkonen foi o quarto, seguido de Bottas e Hülkenberg. Grosjean surpreendeu com o sétimo lugar, assim como Massa com o oitavo, já que largara lá atrás. Ocon, merecido, levou mais alguns pontos para casa e Sainz, sempre ele, figurando entre os dez primeiros.

Como a próxima prova já é no próximo final de semana, o repeteco deste resultado entre Hamilton e Vettel pode colocar ambos empatados faltando apenas sete etapas para o final do mundial. Só que a casa é a da Ferrari, Monza, e a briga promete ser boa. Até lá.

Ao desligar dos motores…

– A Ferrari anuciou a renovação de contrato de seus dois pilotos. Primeiro foi Raikkonen, na sexta, e depois Vettel, no sábado. A Ferrari quer fazer Vettel campeão e conta com Raikkonen como segundo piloto para isso, simples assim;

– Cogitou-se de Alonso na Williams para o ano que vem, ao que Felipe Massa foi muito direto: O carro dele é mais rápido que o meu hoje”;

– Mais uma vez, os pilotos da Force India se acharam na pista. É impressionante como os carros tem rendimento parecido e eles, com características diferentes, andam sempre pareados. Mas o que o Pérez fez hoje não foi legal e colocou em risco a integridade de ambos. Ocon ficou de mal;

– Constante, mesmo com os contratempos do companheiro Verstappen, Ricciardo vem sendo o grande oportunista do campeonato. Sempre que tem uma chance, ele belisca um pódio. Grande piloto o australiano;

– Neste final de semana em Spa, Mick Schumacher, filho de Michael, andou com o carro do pai do primeiro título pela Benetton, de 1994. Não teve quem ficasse indiferente a homenagem.

Lauro Vizentim

Lauro Vizentim é Engenheiro Mecânico, fez MBA em Administração e trabalha há quase duas décadas na indústria de automóveis. Gosta de criação, design e de carros. Quando estes três gostos se juntam em uma corrida, tudo se completa. Acompanha a Fórmula 1 há mais de trinta e cinco anos e escreve para o No Trânsito desde 2009.

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