Virou


Hamitlon vence, assume a ponta do campeonato pela primeira vez e coloca Vettel como caçador agora. Mais recordes caem e o campeonato fica eletrizante.

Mercedes e Monza.

Não, não errei não. Na Fórmula 1 atual, esta combinação é praticamente a certeza de vitória, para desespero dos fiéis tifosi.

Bom, ainda era possível que uma chuva, uma tormenta, algo natural ou sobrenatural parasse os carros da Mercedes. As preces dos torcedores italianos, vendo o domínio esmagador da equipe alemã nos primeiros treinos, parece que tentou jogar água no chopp dos alemães.

E pode até ter faltado chopp, mas água não faltou. Uma joint venture entre San Gennaro e São Pedro, parecia que ia provocar o segundo dilúvio na hora do treino classificatório, e era essa praticamente a única possibilidade de embaralhar o grid.

Os pilotos foram, então, liberados para a pista, só que não tardou muito e já veio a interrupção do treino, originada pelo acidente de Romain Grosjean, que perdeu o controle em plena reta de do circuito italiano. A câmera on board do carro do francês mostra que ele aquaplanou por duas vezes, perdendo totalmente o controle na segunda ocasião e destruindo o carro, ficando fora, obviamente, do restante do treino.

Ao rádio, ainda com o carro parando depois de se chocar com o guard rail, Grosjean falou cobras e lagartos sobre a direção de prova, alegando que era impossível guiar naquelas condições. Ele tinha o terceiro tempo na ocasião, mas poucos carros já haviam feito volta cronometrada.

Depois disso, um longo período sem atividades, apenas com o safety-car entrando a cada quinze minutos para dar uma checada na profundidade da pista (sim, tinha água). E foram necessários vários minutos, duas horas e meia de interrupção, para que os carros voltassem a pista.

A pista melhorou, mas ainda bem molhada. Com o tempo restante do Q1, Jolyon Palmer, da Renault, mais os dois pilotos da Sauber e Kevin Magnussen, com a outra Haas (só que inteira), ficaram pelo caminho.
No Q2, com a pista melhorando, os dois carros da Toro Rosso não conseguiram passar para o Q3, o mesmo acontecendo com Fernando Alonso, Nico Hülkenberg e Sergio Pérez.

Lavaram a pista no sábado.

Lavaram a pista no sábado.

Por incrível que pareça, apesar da umidade abundante, os dois carros da Williams conseguiram um lugar no Q3, em um rendimento que impressionou Felipe Massa. O brasileiro ainda ficou mais impressionado, e talvez frustrado, com a excelente classificação feita por Lance Stroll, primeira vez em Monza e no molhado. O menino canadense fez o quarto tempo, a frente de gente grande como os dois carros da Ferrari e de Bottas. Felipe Massa, muito mais experiente que Stroll, também ficou bem para trás, em nono, apenas a frente de Vandoorne.

Nas três primeiras posições, os dois carros da Red Bull e, ele, Lewis Hamilton.

Sem depender de punições, Lewis Hamilton foi soberano. Mais de um segundo de diferença sobre os carros da Red Bull, e isso lhe deu agora o recorde absoluto de pole positions na história da categoria, chegando a 69 feitos, um a mais que Michael Schumacher, quatro a mais que Ayrton Senna.

Eu falei em punições né?

Tinha mais gente punida em Monza do que pela justiça brasileira, praticamente meio grid. O que mais afetou o grid foi a penalidade dos dois carros da Red Bull, que deixaram a 2ª e 3ª posições no grid e foram para a décima terceira, com Verstappen, e décima sexta, com Ricciardo.

Assim, Stroll foi dividir a primeira fila do grid com Hamilton, batendo também o recorde de ser o mais jovem piloto da história a largar na primeira fila. Por questão de dias, roubou o recorde de Verstappen. Portanto, o GP começou com dois recordes batidos, Ferraris na terceira fila e milhares de pessoas querendo presenciar um milagre vermelho.

Vou ali e não volto

A pista estava sem o grip esperado por causa da chuva, mas o domingo estava ensolarado e sem previsão de precipitações.

Hamilton nem se importou com quem estava ao seu lado e foi embora. Ocon, que era o terceiro no grid, conseguiu superar Stroll ainda antes da freada da chicane. Raikkonen também foi outro que ganhou uma posição na largada, assumindo o quarto lugar sobre Bottas, mas foi Verstappen quem fez uma largada pra lá de agressiva e apareceu na oitava posição rapidamente.

Largada tranquila, sem grandes incidentes. Hamilton se foi.

Largada tranquila, sem grandes incidentes. Hamilton se foi.

O problema é que Verstappen encontrou Massa pela frente e, depois de tentar uma ultrapassagem na freada da chicane, o holandês teve um pneu estourado e reclamou muito do brasileiro pelo rádio. Porém, lance de corrida considerado por este que vos escreve e também pelos comissários em Monza, sem penalidades para ninguém. Massa, por sinal já havia se enroscado também com Pérez.

Bottas, como se esperava dele, foi superando Raikkonen, Stroll e também Ocon, para assumir a segunda posição da corrida. Vettel, por sua vez, também fez o seu dever de casa e passou por Raikkonen, Stroll e Ocon, assumindo o terceiro lugar. Já Raikkonen não conseguia o mesmo desempenho e até errou a freada no final da reta, mas voltou sem perder nenhuma posição.

Era ainda a décima volta da corrida e Hülkenberg resolve acordar o pessoal dos boxes fazendo a primeira parada regular, enquanto que na pista, Ocon, Stroll e Raikkonen estavam andando muito próximos, mas o piloto da Ferrari foi para os boxes, mas ninguém brigou porque as voltas seguintes foram de pit-stop para todos.

Ultrapassagem mesmo quem fazia era Ricciardo, sobre Pérez. Uma manobra maravilhosa, com direito a drible e tudo mais. Esta foi daquelas de valer o ingresso.

Mais no pelotão do fundo, Palmer e Alonso duelavam e quase se tocaram. Palmer acabou cortando a chicane e Alonso ficou possesso com a penalidade de apenas cinco segundos dada pelos comissários ao piloto da Renault.

Depois de suas paradas, Ocon, Raikkonen e Stroll chegaram em Vandoorne, ainda sem parada. Mais a frente, Felipe Massa tinha pista livre para tirar na pista a diferença dos três e subir na classificação da corrida. No entanto, quando retornou a pista após sua parada, Massa se viu ainda atrás de seus oponentes.

Ricciardo foi soberbo.

A corrida seguia com as paradas de box e algumas boas brigas, como Ocon e Raikkonen. O finlandês teve que usar todos os seus recursos para passar e segurar uma tentativa de troco do francês da Force India.

Ricciardo, ultrapassando Raikkonen. O australiano é muito mais que um sorrisinho bonito no grid (e faz tempo).

Ricciardo, ultrapassando Raikkonen. O australiano é muito mais que um sorrisinho bonito no grid (e faz tempo).

Pouco depois de Verstappen fazer a sua segunda parada, foi a vez de Palmer abandonar a corrida. Alonso, que estava desde o incidente com o piloto da Renault reclamando no rádio que a punição era branda demais, perguntou pelo rádio onde ele estava. Ao que recebeu a notícia de que Palmer estava fora da corrida, Alonso soltou pelo rádio a palavra “karma”. Esse Alonso… Mas, como o que vale não é ironia e, sim, resultado, ambos os pilotos da McLaren acabaram abandonando a prova antes do final.

O nome da prova, pelo menos para mim, foi Ricciardo. Mostrando como usar a estratégia em uma pista em que ele sabidamente não tinha equipamento para enfrentar Mercedes e Ferrari, o australiano retardou ao máximo a sua parada de box, uma vez que estava com os pneus mais duros do final de semana. Ao trocar os pneus e voltar na quinta posição real com compostos supermacios, Ricciardo começou a fazer volta mais rápida em cima de volta mais rápida.

Fez uma linda ultrapassagem sobre Raikkonen, assim como já havia feito em Pérez, e foi tirando diferença para a Ferrari de Vettel. A sorte do alemão é que faltaram algumas voltas para o piloto da Red Bull fazer a ultrapassagem.

Hamilton, passeando e sem forçar, venceu em Monza e Bottas ajudou muito com o segundo lugar. O inglês agora tem três pontos de vantagem para Vettel, que ainda conseguiu se segurar na terceira posição, com Ricciardo em quarto e Raikkonen em quinto. Ocon, Stroll, Massa e Pérez chegaram colados, sendo que Massa ainda tentou, na última volta, uma ação sobre o companheiro de equipe, sem sucesso.

O campeonato está sensacional, e deixa a Europa para seguir para a quente Cingapura em duas semanas. A coisa deve esquentar ainda mais.

Olho no Lance. O menino está em evolução.

Olho no Lance. O menino está em evolução.

Ao desligar dos motores…

– O pódio de Monza sempre é um espetáculo à parte. Hamilton foi vaiado, e disse que tem o melhor carro. Vettel disse que conta com a torcida para ir buscar o campeonato, arrancando gritos dos tifosi. Bottas quase queimou o dedo com a vela que segurava;

– A McLaren está com grandes problemas para 2018. A parceria com a Honda não deu certo, mas também parece que ninguém quer fornecer. A permanência de Alonso na McLaren parece que depende agora da Renault, ou seja, de uma possível parceria McLaren-Renault;

– A dobradinha da Mercedes, além de doida para os ferraristas, foi ainda mais terrível quando os carros de Hamilton e Bottas desfilaram, lado a lado, na volta de recolhimento aos boxes. É como tomar goleada em casa e ver o time adversário dar a volta olímpica;

– Pérez e Ocon ficaram longe esta vez, sem enrosco ou brigas. Apesar disso, ainda não é certo a permanência de ambos na equipe indiana em 2018;

– Lance Stroll, desculpe;

Lauro Vizentim

Lauro Vizentim é Engenheiro Mecânico, fez MBA em Administração e trabalha há quase duas décadas na indústria de automóveis. Gosta de criação, design e de carros. Quando estes três gostos se juntam em uma corrida, tudo se completa. Acompanha a Fórmula 1 há mais de trinta e cinco anos e escreve para o No Trânsito desde 2009.

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