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Nona vitória de Hamilton no ano só não lhe dá o título matematicamente. Vettel foi segundo, e Verstappen cruzou em terceiro mas foi penalizado ao ultrapassar Raikkonen nas últimas curvas, e o homem de gelo foi tomar champanhe em seu lugar.

Estreias e retornos

A maior expectativa para o GP dos Estados Unidos era a estréia de Carlos Sainz Jr pela Renault. A negociação, relatada pela gente aqui nas últimas postagens, era vista com muita curiosidade pois é sabido que Sainz é um bom piloto, e que Palmer, o demitido, não trazia muita coisa positiva para a equipe em termos de resultado. Com um carro mais competitivo, o que Sainz poderia fazer?

Porém, havia mais uma estréia na categoria. Tratava-se de Brandon Hartley, neozelandês, que ficou com o lugar de Pierre Gasly, outro recém chegado a categoria. Este último, pediu licença para disputar o título da Super Fórmula no Japão (e perdeu porque as duas provas foram canceladas, é mole?). Como Sainz saiu da Toro Rosso e Gasly foi em busca do título, faltava um piloto para completar a dupla da Toro Rosso, certo? Eis que ressurge, todo confiante, Daniil Kvyat, o genro do Nelsão.

Isto posto, os treinos deram a Hamilton uma mão e três dedos na taça de campeão do mundo com a conquista da pole position, 62a na carreira, apesar de Vettel ter feito de tudo para se colocar na primeira fila ao seu lado, o que acabou inclusive acontecendo.

Apresentação dos pilotos em Austin foi qualquer coisa.

Apresentação dos pilotos em Austin foi qualquer coisa.

Bottas foi o terceiro colocado, com Ricciardo em quarto e Raikkonen em quinto. Verstappen seria o sexto, mas acabou punido em quinze posições por trocar elementos do motor. Porém, largou em décimo sexto porque, além dele, Hülkenberg, Vandoorne e Hartley também sofreram penalidades pelo mesmo motivo, e o Magnussen levou um pito e mais três posições de punição por ter atrapalhado os amiguinhos durante o treino oficial. O mesmo caso de Magnussen aconteceu com Stroll, mas o canadense pode se dar por satisfeito por não ter provocado uma bela pancada com Grosjean no Q1. Ao tentar tirar o carro da pista para a esquerda, o canadense não viu que o piloto da Haas já vinha lançado pelo lado de fora, mas Grosjean teve reflexo suficiente para evitar a batida, por pouco, é verdade.

Assim, voltando ao grid, tínhamos os dois Sauber em décimo terceiro e décimo quarto, imediatamente atrás de Daniil Kvyat e Romain Grosjean.

Esteban Ocon herdou o sexto lugar de Verstappen e ficou logo a frente de Sainz, em sétimo. Alonso, com um excelente oitavo lugar, parecia estar muito a vontade em sua volta aos Estados Unidos depois da experiência na Indy em maio, só não queria o mesmo desfecho (ai, ai, ai, ai , ai). Pérez e Massa fecharam os dez primeiros.

Vettel fez o que dava

Decidido, Sebastian Vettel tomou a liderança da prova na primeira curva, por dentro, sem deixar espaço para Hamilton se recuperar. Ocon conseguiu também superar Raikkonen e passou a ser o quinto colocado. Uma largada praticamente sem incidentes, com todos descendo a sequência de “Ss” muito perto. Esse circuito das Américas é sensacional mesmo.

Vettel largou muito bem e tomou a ponta.

Vettel largou muito bem e tomou a ponta.

Ainda antes de fechar a primeira volta, Alonso ganhou a posição do compatriota Sainz e Ricciardo tentou de tudo para deixar Bottas para trás, mas o finlandês da Mercedes jogou duro e não cedeu a posição assim tão fácil. Lá atrás, já era hora de olhar o que fazia Max Verstappen, vindo do fundo do grid e ganhando cinco posições em duas voltas apenas.

Belas brigas na pista, com Ricciardo insistindo novamente para cima de Bottas e levando um “x”, o meio do pelotão se ajeitando como podia e Hülkenberg saindo mais cedo da prova com problemas irreversíveis no seu carro (aumentando a dramaticidade por conta do jeito americano de anunciar as coisas).

Embora tivesse conseguido a ultrapassagem na largada, Hamilton estava se aproximando perigosamente de Vettel e não demorou muito, acabou retomando a primeira posição com uma manobra certeira na freada da reta oposta. Nesta altura, o Verstappen já andava em sétimo.

Claro que é legal que haja, em todo esporte, um nome associado a coisas pouco ortodoxas, para dar uma movimentada no noticiário. O problema é quando este mesmo nome é associado a coisas (leia-se manobras) pouco providas de qualidade. Estamos falando do Magnussen que, lutando por sabe-se lá qual posição, o colocou Wehrlein para fora da pista. O piloto da Sauber teve que abandonar a corrida por conta deste toque, e olha que o Magnussen já tinha feito um pit-stop na primeira volta por conta de ter feito alguma outra besteira que eu não identifiquei.

Enquanto pintava uma briga boa entre Massa, Pérez e Kvyat, o Verstappen seguia sentando a bota e assumia a sexta posição após dez voltas, o que dava em média uma posição por volta. Seu companheiro, Ricciardo, fez o pit-stop primeiro que ele, como era de se esperar, mas não foi o primeiro da pista, já que Pérez, Hartley e Stroll, assim como Magnussen que citamos antes, já tinham feito os seus. Pena que pouco depois Ricciardo acabou abandonando a prova com problemas de motor.

Na volta dezessete, Vettel veio para o pit stop e colocou pneus macios, que eram os mais duros do final de semana. Bottas parou na volta seguinte e voltou atrás de Vettel, sem mudança. Hamilton foi fazer a sua parada imediatamente depois, e só voltou na frente de Vettel porque o alemão havia errado a penúltima curva antes da entrada da reta.

No duelo direto, deu Hamilton.

No duelo direto, deu Hamilton.

Quando foi a vez de Raikkonen, Verstappen se tornou o líder da corrida, mas Hamilton e Vettel estavam se aproximando com rapidez, afinal, os pneus de Verstappen já estavam mais comprometidos que os de seus adversários. E a ordem normal foi reestabelecida.

Hamilton fez uma manobra em duas etapas, forçando Verstappen a se defender de um lado da pista e abrindo uma avenida do outro, onde Hamilton nem tomou conhecimento e deixou o menino da Red Bull para trás. Sem pneus, Verstappen decidiu pela sua segunda parada, e o mesmo ocorreu com Vettel na volta seguinte.
Alonso, que vinha bem na prova, foi obrigado mais uma vez este ano a abandonar um GP nos Estados Unidos por falência do motor Honda. Déjà vu.

Hamilton fez o de sempre

Os carros da Force India, sempre juntos como se passeassem pelo parque de mãos dadas, agora tinham a presença de Sainz com sua Renault na mesma disputa. A briga entre Sainz e Pérez foi também muito boa, e o espanhol disposto a mostrar que valeu cada centavo do investimento da equipe francesa, levou a posição de Pérez e deixou o mexicano como presa para Daniil Kvyat, que vinha fazendo uma corrida descente.

Verstappen e Vettel, optaram pelos compostos ultramacios rosa em suas segundas paradas. Parecia a estratégia certa. Já os finlandeses não pensavam da mesma forma, e pintavam como pilotos de uma parada só para este GP. Raikkonen seguiu pressionando o compatriota da Mercedes até que conseguiu a ultrapassagem e pulou para a segunda posição.

Sainz, amarelando mas sem esmorecer.

Sainz, amarelando mas sem esmorecer.

Não demorou muito, Vettel e Verstappen se aproximaram de Bottas. A ultrapassagem de Vettel sobre Bottas foi algo para se aplaudir de pé. Por fora, na freada da reta principal, Bottas fechou a curva e deu o lado de fora para Vettel, com um complicador a mais para o alemão, já que havia contornando o lado de fora da curva o carro de Vandoorne. Só havia um espaço para a ultrapassagem, que era entre os carros da Mercedes e da McLaren, e foi exatamente ali que Vettel se intrometeu para fazer uma linda ultrapassagem e assumir a terceira posição.

Enquanto Verstappen brigava para tomar a posição de Bottas, Raikkonen deliberadamente deixou Vettel assumir a segunda posição e ficou de escudeiro para o alemão para um possível ataque de Verstappen. E não tardou para que Verstappen passasse Bottas, fazendo o piloto da Mercedes imediatamente trocar de idéia e decidir ir para os boxes porque a “sola tava gasta”.

Esse é o Brandon Hartley, que fez sua primeira corrida na F1 pela Toro Rosso.

Esse é o Brandon Hartley, que fez sua primeira corrida na F1 pela Toro Rosso.

Na última volta, a manobra mais polêmica da prova. Raikkonen viu Verstappen encher o retrovisor e, depois de algumas “ciscadas” atrás do finlandês, o piloto da Red Bull foi tão decidido que deixou o homem de gelo para trás sem que este tivesse tempo de reagir. A manobra foi tão audaciosa que Verstappen comemorou o lugar no pódio como se tivesse vencido a corrida.

Já na sala de espera para o pódio, o anticlímax. Verstappen foi punido com cinco segundos em seu tempo de prova porque fez a ultrapassagem sobre Raikkonen colocando as quatro rodas fora da pista, caracterizando vantagem indevida.

Assim, Hamilton e Vettel tiveram a presença de Raikkonen no terceiro lugar do pódio. Verstappen, fulo da vida, ficou em quarto, com Bottas em quinto. Ocon foi o sexto, Sainz fez boa estreia pela Renault e cruzou em sétimo, seguido por Pérez, Massa e Kvyat. O outro estreante, Brendon Hartley, fez uma corrida muito discreta e terminou na décima terceira posição.

On board da polêmica. Max Verstappen deveria ou não ter sido punido?

On board da polêmica. Max Verstappen deveria ou não ter sido punido?

Agora, o tetracampeonato de Hamilton será comemorado com tequila.

Ao desligar dos motores…

– A manobra de Verstappen sobre Raikkonen levanta mais uma vez a discussão sobre o que é ou não permitido em termos de ultrapassagem na Fórmula 1 e suas respectivas punições. A minha opinião é de que ele, sim, tirou vantagem por ter cortado caminho para ganhar a posição sobre Raikkonen. Esta minha opinião é oposta à de Niki Lauda, Mario Andretti, jornalistas e colegas, além do próprio Verstappen e de seu pai, claro. A postura da FIA, no entanto, foi de não punir os pilotos que fizeram o mesmo tipo de condução durante o final de semana, ganhando ou não vantagem nisso. Essa tal liberdade gerou a onda de protestos. Ainda assim, acho que Verstappen foi justamente punido;

– Verstappen renovou com o Red Bull;

– A Mercedes é tetra campeã de construtores. Alguém duvidava?

– Ricciardo não gostou de saber apenas pela imprensa que o seu companheiro de equipe teve atualização do motor Renault e ele não;

– A pista americana já é um show pelo relevo, traçado, modernidade. Aí os caras da Liberty fazem um verdadeiro show na apresentação dos pilotos antes da prova. Teve até um “ladies and gentlemen, start your engines”, à lá Fórmula Indy. Não dá para competir com os americanos em termos de show, mas e se isso se repetisse nas outras etapas?;

– Sainz e Renault combinaram;

– O final de semana foi todo rosa em Austin devido a campanha para prevenção do câncer de mama. Bonita iniciativa e muito válida, claro.

Lauro Vizentim

Lauro Vizentim é Engenheiro Mecânico, fez MBA em Administração e trabalha há quase duas décadas na indústria de automóveis. Gosta de criação, design e de carros. Quando estes três gostos se juntam em uma corrida, tudo se completa. Acompanha a Fórmula 1 há mais de trinta e cinco anos e escreve para o No Trânsito desde 2009.

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