Acabou com canção de ninar


Na sonolenta despedida de 2017, Valtteri Bottas bate Lewis Hamilton e venceu de ponta a ponta em Abu Dhabi. Vettel foi terceiro e Massa, em sua despedida definitiva da categoria, marcou mais um pontinho.

Bottas na pole

Treino em Abu Dhabi, sem muita importância para o campeonato, não foi além do previsível. Talvez, a única exceção tenha sido o pole position.

Ainda tentando um improvável vice campeonato, Valteri Bottas desbancou Lewis Hamilton na briga pela pole position da etapa faraônica do campeonato. As duas Mercedes, pelo que apresentaram na sexta e no sábado em treinos livres, eram favoritíssimas a primeira fila. E não foi diferente.

Tudo bem que Hamilton deu uma erradinha na última tentativa, mas o mérito foi do finlandês, que foi melhor também no Q1. Assim, Sebastian Vettel teve que se contentar com o terceiro lugar no grid, ao lado de Daniel Ricciardo. Na terceira fila, nova dupla Ferrari-Red Bull, agora com Raikkonen e Verstappen.

Nem chamaram o Kvyat...

Nem chamaram o Kvyat…

Sempre bem posicionado no treino, Hülkenberg fez o sétimo tempo, a frente dos siameses da Force India, Pérez e Ocon. Felipe Massa, de capacete comemorativo em sua última corrida de Fórmula 1, conseguiu levar a Williams para o Q1 e fechou os dez melhores classificados no grid de Abu Dhabi.

No Q2 tinham ficado Alonso, Sainz, Vandoorne, Magnussen e Stroll, nesta ordem, cabendo ao final do grid as posições de Grosjean, Gasly, Wehrlein, Ericsson e Hartley, este último punido com mais dez posições no grid, mas não mudou absolutamente nada no posicionamento de largada.

Combinaram com todos, menos com o Magnussen

Largada mais do que comportada para quase todo o grid, exceto para Magnussen, que travou roda, foi para fora da pista, voltou, saiu rodando de novo, bem ao estilo “sai do caminho”. Acabou caindo para o final do grid.

Fernando Alonso vai com tudo para cima de Felipe Massa, consegue a ultrapassagem, mas o brasileiro retoma a décima posição com estilo, dando início a um novo embate entre os dois, assim como aconteceu no GP do Brasil há duas semana atrás.

Hülkenberg estava disputando posição com Pérez e deu uma cortada de caminho enorme, não devolveu a posição, e gerou reclamação muito forte do mexicano. Depois, os comissários resolveram punir o Hülkenberg com cinco segundos, a serem pagos em seu pit-stop. Esta regra eu não gosto, porque acaba prejudicando ainda mais o piloto desfavorecido com a manobra irregular do competidor.

Ao que tudo indica, foi a despedida de Felipe Massa (é que erramos no ano passado quando dissemos o mesmo).

Ao que tudo indica, foi a despedida de Felipe Massa (é que erramos no ano passado quando dissemos o mesmo).

Quem brigava como cão e gato eram Grosjean e Stroll, com direito a fechada, roda a roda, “x” do canadense no francês e tudo mais. Uma briga leal que durou algumas voltas, mas que acabou vencida pelo piloto da Haas. E, de tanto atacar, Grosjean acabou pedindo para ir aos boxes mais cedo, já que seus pneus estavam um pouco “quadrados”. Diga-se de passagem, o asfalto do circuito de Yas Marina é tão liso, mas tão liso, que qualquer irregularidade na pista ou no carro é sentida de imediato.

Começam então as paradas de pneu, que em virtude do pouco desgaste que falamos agora, tinha previsão de ser feita entre as voltas quinze e trinta, uma das maiores janelas de todo o campeonato (às vezes tenho a impressão que o pessoal da Pirelli chuta demais, mas sei lá, vamos passar uma borracha nisso).

Sem muita coisa acontecendo e na ausência de um padre irlandês correndo com cartazes de protesto pela pista, Pierre Gasly roda pouco antes da entrada dos boxes, fica atravessado, mas volta por suas próprias forças gerando apenas uma bandeira amarela no local.

Lembram da punição do Hülkenberg? Então, parece que o universo conspira para ajudar quem trabalha duro, no caso, Pérez. Além de pagar os cinco segundos da punição sofrida por ter feito um atalho, a equipe tratou de segurá-lo mais um pouco por um problema na roda traseira direita. No entanto, na briga direta com o piloto da Force India isso acabaria não gerando nenhuma diferença ao final da prova, até porque ele voltou em briga direta com Grosjean e o próprio Pérez.

Terceiro na corrida de encerramento e vice campeão. Não dava pra fazer mais.

Terceiro na corrida de encerramento e vice campeão. Não dava pra fazer mais.

Sono até nos fiscais de pista

Ricciardo foi para sua parada de box e na sua volta de retorno a pista acabou dando uma beliscada no muro e abandonando o carro em seguida na área de escape. Pelo rádio, o australiano disse ter sido problema hidráulico, e somou três abandonos nas quatro últimas etapas.

Então, o líder da prova Valtteri Bottas foi para seu pit-stop, voltando em segundo, enquanto Hamilton simplesmente tratava de fazer a melhor volta da prova. É assim que a cartilha Schumacheriana ensina, voar na pista antes da parada para voltar a frente de quem parou primeiro. E parecia que daria certo, mas Bottas ainda assim segurou a primeira posição no retorno de Hamilton a pista assim que este fez o seu pit-stop, com direito a melhor volta da prova dada pelo finlandês até o momento.

Alonso continuava brigando com Massa, e fez a ultrapassagem sobre o brasileiro para ganhar a nona posição.
Mais à frente, Hamilton dava pinta de que queria a vitória e se aproximava bastante de Bottas. Um erro e uma escapada de pista atrapalharam um pouco os planos do inglês de terminar o campeonato com uma vitória. Assim como Verstappen se aproximou mas não passou Raikkonen na briga pelo quarto lugar, Hamilton também não conseguiu êxito sobre Bottas.

Para a Renault, mais um problema quando Sainz fez a sua parada e voltou com o pneu dianteiro esquerdo completamente solto, quase, batendo no túnel de saída dos boxes e abandonando de vez o carro na área de escape, sem maiores prejuízos para o andamento do grande prêmio.

Sem emoção nenhuma, o GP dos Emirados Árabes terminou com a vitória de ponta a ponta de Bottas, com direito a melhor volta da prova, seguido por Hamilton, Vettel, Raikkonen, Verstappen, Hülkenberg, Pérez, Ocon, Alonso e Massa.

Sainz e a roda solta. Ainda bem que parou logo.

Sainz e a roda solta. Ainda bem que parou logo.

A corrida foi tão sem graça que a volta de retorno aos boxes, com os pilotos se confraternizando e dando zerinhos próximos ao público foi a mais interessante da corrida.

Assim termina a temporada de 2017, com a terceira vitória de Bottas, o vice campeonato de Vettel e a consagração de Lewis Hamilton como tetracampeão da categoria e em busca de mais recordes.

Ao desligar dos motores…

– Tudo indica que Robert Kubica substituirá Felipe Massa na Williams. Há quem já de como certa a contratação do polonês, há quem diga que ainda depende dos testes que vão ser feitos ao longo desta semana, lá mesmo em Abu Dhabi. Será interessante ver Kubica de volta, mas eu tenho receio que ele não seja competitivo, não apenas pela limitação física, mas pelas mudanças em toda a categoria desde que ele saiu da mesma;

– Wehrlein é o nome que a Williams gostaria de ter caso Kubica não consiga ir bem nos testes. O problema é a idade do rapaz, ainda abaixo dos 25 anos, o que inviabiliza ações de marketing de seu principal patrocinador em alguns países da Europa. Felipe Massa seria a solução, de novo?;

– Felipe Massa saindo de cena, o Brasil não deve ter nenhum piloto no grid da F1 em 2018. Isso faz diferença para você?;

– Que Hamilton tenha sido campeão com justiça, acho que não se discute, e o vice campeonato para Vettel também é justo. Foi o piloto que, mesmo sem um grande carro, foi levando a liderança do campeonato até onde deu e, depois de alguns problemas, acabou vendo esta vantagem se dissipar rapidamente, sem chance de recuperação. Olhando agora (que é bem mais fácil) teria apenas valorizado ainda mais o título de Hamilton se tudo fosse mais “normal”, sem acidentes;

– A Toro Rosso tá indo mal, e vem aí o motor Honda…;

– Ano que vem teremos o Halo (“rêilo”, como se lê, ou “tiras de havaianas”, como se vê), aquela protação de cabeça para os pilotos. Parece que a barbatana e os “cabides” aerodinâmicos também vão desaparecer, e surge uma nova marca, um novo logo para a F1. Particularmente, achava o logo dos últimos anos muito forte e adequado, mas a Liberty quer colocar a sua marca na categoria. Se continuar acertando, o logo será um detalhe.

Gostem ou não, a F1 terá esta proposta visual a partir de 2018.

Gostem ou não, a F1 terá esta proposta visual a partir de 2018.

Lauro Vizentim

Lauro Vizentim é Engenheiro Mecânico, fez MBA em Administração e trabalha há quase duas décadas na indústria de automóveis. Gosta de criação, design e de carros. Quando estes três gostos se juntam em uma corrida, tudo se completa. Acompanha a Fórmula 1 há mais de trinta e cinco anos e escreve para o No Trânsito desde 2009.

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