Nem tudo à mil


Hamilton vai marcando ainda mais seu nome na história. O inglês venceu o milésimo GP da história em  dobradinha da Mercedes, que teve Vettel, ajudado pela equipe, em terceiro. Mas a corrida foi fraca.

Bottas, com vontade

Quando oficialmente criada, em 1950, a Fórmula 1 talvez não imaginasse que chegaria tão longe. Chegou ao seu GP de número mil quase setenta anos depois neste final de semana.

O circo, como era chamado na época que eu aprendi a gostar do esporte, mudou muito, claro. Do capacete de couro aos mais sofisticados cascos do automobilismo, pasando pelas invenções tecnológicas, de segurança, pelas perdas de vidas de pilotos e espectadores.

E quis o destino que a categoria fosse fazer a celebração lá, na milenar China, por capricho.

Na primeira disputa, a da pole position, deu Bottas. E isso porque a Ferrari era favorita para esta pista, no que demonstrou nos treinos livres. A briga com o companheiro Hamilton foi muito apertada, e depois de cada um fazer o melhor tempo em cada um dos primeiros “Qs”, o finlandês foi dois centésimos mais rápido que o pentacampeão Hamilton e gravou seu nome na história.

Ferraris na segunda fila, como se fosse um prêmio de consolação. Com ritmo de corrida teoricamente mais confiável que dos carros prateados, a equipe italiana acreditava que ainda seria páreo para uma boa disputa. Vettel foi terceiro, e a diferença dele para Leclerc foi ainda menor que de Bottas para Hamilton, mostrando que o monegasco continua motivado. Tanto assim que ficou muito contrariado com o quarto lugar, pois é um cara que quer mais e vai conseguir.

Bottas, o dono da pole número 1000.

Parecia até que o combinaram de as equipes se perfilarem em pares nas cimco primeiras filas. Max Verstappen, como tem acontecido, ficou com a quinta colocação, mas agora ao seu lado apareceu, finalmente, o companheiro de equipe Pierre Gasly. Bom para ele, já que o óleo de sua frigideira estava coemçando a aquecer.

Outro que correspondeu melhor às expectativas foi Ricciardo. O sétimo lugar no grid a frente de Hülkenberg deu um certo ar de tranquilidade ao australiando, ainda que longe dos primeiros lugares. O tempo de seu companheiro, Hülkenberg, foi praticamente o mesmo dele, mas na frente, enfim.

A quinta fila ficou com os carros da Haas, Magnussen a frente de Grosjean.

Pelo Q2 haviam ficado Kvyat, Pérez, Raikkonen e os carros da McLaren, um pouco aquém do que se esperavam deles. Na primeira parte do treino já tinham ficado pelo caminho Lance Stroll, os dois carros da Williams (claro), e Giovinazzi, com a outra Alfa.

Mas você contou 19, certo? Sim, isso porque o Alexander Albon, com a outra Toro Rosso, se estatelou no terceiro treino livre e acabou deixando o carro na funilaria por mais tempo (parece que tiveram que usar até um “ciborg” para por no lugar.

Vettel, com ajuda

O Hamilton não quis deixar escapar a possibilidade de não ver o seu nome inscrito na história como vencedor de um GP tão emblemático como este.

Hamilton, deixando Bottas para trás já na largada.

Foi só a última luz vermelha se apagar e Hamilton tratou de pular logo na ponta. Bottas não conseguiu tracionar de acordo e a ultrapassagem nem foi tão difícil.

Para quem estava em casa, de pijama, sempre vem aquele pensamento “ah, agora sim mostrou quem é o primeiro piloto”. Bom, se é assim, avisem o Vettel que  a batata dele está assando. É que o Leclerc também tomou a terceira posição do alemão, sem cerimônia. Lá atrás, já tinha um embroglio entre os dois McLaren e o Toro Rosso do Kvyat. Apesar dos pedaços de carro na pista e do safety car virtual, todos continuaram na prova depois de uma visita aos boxes.

Largada excelente foi a do Sergio Perez, aparecendo, se não me falha a memória, em sétimo ou oitavo lugar, vindo da décima segunda posição.

Tudo muito bom, tudo muito bem, aí vem um áudio do Vettel falando que estava mais rápido, que o Leclerc estava atrapalhando a vida dele, e tal. Vai então um comunicado da equipe para Leclerc dizendo que, se ele não fosse um bom menino e não andasse rápido, eles teriam que pensar em deixar o caminho livre para o companheiro Vettel.

Leclerc começou a discutir com a equipe e andar mais rápido, sem colocar uma vantagem tão grande sobre Vettel, é verdade, mas o suficiente para ele se dar por satisfeito. Porém, porém… adivinhem o que a Ferrari fez.

O jovem piloto da Ferrari até contra argumentou, continuou colado em Vettel e perguntou qual era a estratégia para ele, ao que a equipe simplesmente mandava ele continuar focado que eles é que cuidavam da estratégia. Pois bem.

Kvyat e suas confusões. Desta vez, as vitimas foram os carros da McLaren.

Depois das primeiras paradas de box, a equipe pediu para Leclerc ficar na pista e continuar acelerando, que ele estaria em uma estratégia diferente. Isso começou a custar a ele mais de três segundos por volta em relação a Vettel e, também, já era nítido que Verstappen ganharia a posição quando Leclerc parasse. E isso aconteceu.

Hamiltom, com sossego

A milésima corrida merecia ter sido mais movimentada, com mais ultrapassagens.

Com o passar das voltas, a corrida foi ficando um tanto “mais do mesmo”. Só foi mesmo ruim para Hülkenberg, Norris e Kvyat. O russo, aliás, tomou uma punição por ter sido acusado de causar o enrosco no começo da prova, ao que eu acho que foi apenas um lance de corrida.

O mais legal da corrida talvez tenha sido a parada de box praticamente simultânea que a Mercedes fez com seus dois pilotos. Ambos entraram ao mesmo tempo para a segunda parada e, em menos de sete segundos, ambos já estavam devolta a pista para “levarem os carros para casa”.

Vettel na frente, Leclerc atrás. É assim que a Ferrari quer.

No que conta mesmo, Hamilton não foi ameaçado em nenhum momento por Bottas, e acabou por vencer com a maior tranquilidade e, de quebra, assumir a liderança do campeonato. Seu companheiro, segundo na prova, também é o segundo no mundial, ou seja, a Mercedes tá abrindo muito já na disputa pelo campeonato de construtores.

Vettel acabou com o terceiro lugar, mas é Verstappen quem está nesta posição até aqui no campeonato, invertendo com o próprio Vettel. Apenas dois pontos separam o holandês do piloto número #5, e três é a diferença de Verstappen para Leclerc, quinto na prova e no mundial até o momento.

Pierre Gasly conseguiu a sexta posição e, também, acabou tendo seu nome marcado para a história como o piloto que fez a volta mais rápida da prova milesimal. Ganhou seu ponto extra.

Ricciardo, Perez, Raikkonen e Albon completaram os pontuadores da corrida.

Pérez, foi bem.

Ao desligar dos motores…

– A Ferrari tem em mãos um piloto jovem, telentosíssimo e que pode ser o futuro vencedor da equipe. É claro que Vettel já tem nome, tem competência e titulos que lhe dão, ainda, uma certa superioridade. Porém, atitudes como continuarão a condenar a equipe perante os fãs da categoria (o que é óbvio);

– Leclerc já se mostrou não apenas rápido, mas também inteligente. Durante a prova, jogou toda a resposnabilidade para a equipe ao dizer que não entendia a estratégia. Deixou claro que veio para vencer e não se importa quem é o companheiro de equipe. No entanto, cedeu a posição. Vamos ver as cenas dos próximos capítulos;

– Alexander Albon, de novo, mostra que é um cara a ser respeitado. Foi dele, aliás, a velocidade mais alta registrada na corrida;

– O equilíbrio das equipes para ser ver qual delas será a quarta força do campeonato está muito interessante. Só não deve ser a Williams;

– Hamilton aparece duas vezes na lista dos vencedores dos GPs múltiplos de 100. Venceu também o GP 900, no Bahrein, em 2014. E olha que nesta lista não figuram nomes importantes de grandes campeões, nem mesmo do maior vencedor e mais vezes campeão do mundo (até aqui) Michael Schumacher.

Para a história.

Lauro Vizentim

Lauro Vizentim é Engenheiro Mecânico, trabalha há mais de duas décadas na indústria de automóveis. Gosta de criação, design e de... carros. Quando estes três gostos se juntam em uma corrida, tudo se completa. Acompanha a Fórmula 1 desde criança e colabora com o No Trânsito desde 2009.

1 Response

  1. LEONARDO SUSSUMU SHIMADA OSORIO says:

    Leclerc está respeitando Vettel e a equipe por ser seu 1 ano na Ferrari. Fico pensando como esses pontos que eles estão fazendo o Leclerc incluenciará o campeonato para ele?

    Incrível como o Vettel com 4 campeonatos mundiais é tão inferior ao Hamilton com 5. O Vettel não é estavel mentalmente, enquanto Hamilton toca o carro com uma maestria. Espero que o Hamilton vá até o limite e consiga passar o Schumi no numero de campeonatos.

    Coitada da Willians e Mclaren, equipes grandes no passado e hoje brigando pelas ultimas posições.

    Red Bull com motor Honda está indo muito bem, ano passado o problema era os Motores Honda ou o carro da Mclaren!?

    Belo Texto Lauro!

    Vamos que Vamos!

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