Le même


Hamilton largou na ponta e foi embora. Os demais concorrentes? Figurantes apenas, de uma das corridas mais monótonas que eu assisti. E ainda tivemos as famosas punições. É, é preciso mais que liberdade, igualdade e fraternidade na Fórmula 1.

Voltem as placas no lugar

Na sexta-feira, a maior expectativa em Paul Ricard era sobre o julgamento do recurso da Ferrari que tentava reverter a punição imposta a Vettel no Canadá, lhe custando a vitória então. Contudo, a FIA, alegando que nenhum elemento novo relevante surgiu para que se pudesse cogitar qualquer alteração, manteve o resultado com a vitória de Hamilton. Isso que dá contratar o advogado do Botafogo.

E foi só os carros irem para a pista que já deu para perceber que o final de semana era prateado de novo.
Os carros da Mercedes não deram uma mínima chance para os concorrentes, dominando treinos livres e o qualifying. Hamilton ficou com a pole e dividiu a primeira fila com Bottas, seu companheiro. Charles Leclerc e Vertappen ficaram com a segunda fila, mas quanto você olha para os tempos e vê que o carro da Ferrari tomou quase sete décimos do Hamilton, e o Vertappen mais de um segundo, aí você nem precisa de Bolão para saber quem vai ganhar, certo?

Quem surpreendeu na terceira fila foram os dois carros da McLaren, com Norris e Sainz respectivamentee, o que acabou empurrando Vettel apenas para um discretíssimo sétimo lugar no grid. Em tempo, isso se traduziria como um segundo e meio para Hamilton!

A quarta fila trouxe, além de Vettel, seu antigo parceiro Ricciardo, e os dez primeiros ainda tinham na quinta a dupla GG, Gasly e Giovinazzi, este último podendo ser considerado surpresa.

Bom treino de Norris, mas um problema no final lhe tirou da sétima colocação na prova.

Na paz

Confesso que estava torcendo para um strike na largada, mas o pessoal tá muito comportado ultimamente com medo de eventuais punições. O Vertappen quase que conseguiu passar o Leclerc, que soube se defender muito bem. E quase que o holandês perdeu a posição para Saiz, que pulou a frente de Norris. Bottas, que se estiver com a faca nos dentes é melhor amolar a mesma, não ameaçou em nada Hamilton, a quem só restou abrir vantagem desde o início.

Vettel levou sete voltas para ultrapassar os carros da McLaren, que passaram a ser apenas mamões passados (horrível essa, eu sei, mas não pior que a corrida em si). A partir daí, a realidade voltou ao normal para ele, que por ali ficou por muito tempo.

O mais próximo que os concorrentes chegaram de Hamilton.

E, como era corrida de uma parada apenas, Hamilton se deu ao luxo de fazer seu pit-stop na volta 24 das 53 previstas, e ainda voltar na frente dos demais que já haviam feito seus pits. Vettel, o único entre os primeiros que ainda não havia parado, sequer chegou a ameaçar tomar a liderança da prova de Hamilton, ainda que por algumas voltas. É mais fácil tirar a placa no final, hahahaha.

Já recebeu sua punição hoje?

Briga boa mesmo só foi acontecer com mais de quarenta voltas, e com os companheiros Kvyat e Albon brigando por uma décima quarta posição apenas. Deu pra sentir o marasmo, não é?

Com a vitória mais do que garantida, Hamilton ainda queria o ponto da melhor volta, mas este acabou ficando com Vettel porque o alemão fez um segundo pit-stop faltando duas voltas para o final. Acredite ou não, a diferença da volta mais rápida entre ambos apenas 24 milésimos, só que um com pneu totalmente novo, e outro com pneus de quase trinta voltas. Realidade dura esta para a Ferrari.

Mas, assim como um jogo truncado, zero a zero, em que os times só se defendem o tempo todo mas resolvem arriscar tudo nos minutos finais, a corrida teve um lampejo de emoção quando Norris, que já havia detectado algum problema no carro há algumas voltas, foi ultrapassado por Ricciardo na briga pela sétima posição.

Acontece que Norris, Ricciardo, Raikkonen e Hülkenberg estavam na mesma balada, separados por menos de um segundo. E, na tentativa, o australiano acabou tirando as quatro rodas do traçado, voltou de forma perigosa (termo que será usado infinitamente em campanhas políticas e de prevenção de doenças daqui para frente), obrigou Norris a sair da pista para não bater e, ambos, perderam posição para Raikkonen.

As manobras de Ricciardo: Na primeira foto, Norris, Ricciardo, Raikkonen e Hülkenberg, da esquerda para a direita. Ricciardo já tinha voltado para a pista mas, reparem, Raikkonen também está com as rodas fora do limite do traçado.
Na segunda foto, o passão pelo acostamento do australiano, com Norris já ficando para trás.

Não satisfeito, Ricciardo embutiu atrás de Raikkonen e, como um playboy indo para a praia no trânsito congestionado, passou o finlandês pelo “acostamento” mesmo, colocando as quatro rodas fora da pista de novo. O que teria sido um excelente (mais ou menos) sétimo lugar para o piloto da Renault, acabou virando apenas um décimo primeiro, tirando-lhe qualquer pontuação.
Leclerc, na última volta, apareceu a meio segundo de Bottas, mas não conseguiu a ultrapassagem e foi ao pódio no terceiro degrau pela segunda vez seguida, terceira na temporada.

Além da dobradinha da Mercedes e de Leclerc no pódio, Vertappen foi o quarto colocado, Vettel o quinto, Sainz o sexto, Raikkonen o sétimo com Hülkenberg em oitavo, Norris conseguiu ainda o nono lugar e Gasly completou os dez primeiros que marcaram pontos no entediante GP francês deste ano.

Ao desligar dos motores…

– Vettel começa a dar sinais de DRS, ou seja, desmotivação repetitiva sintomática, e já começa a falar em aposentadoria;

– Bottas tomou dezoito segundos do Hamilton, chegou mais atrasado que aluno para prestar o Enem, mas disse que Hamilton não é imbatível. Só faltou a risada do Carlos Alberto de Nóbrega ao fundo;

– A punição de Ricciardo, um duplo 5 segundos por tirar o carro da pista quando passou Norris e depois Raikkonen na mesma reta, eu achei justa, diferente do que ocorreu com Vettel no GP do Canadá. Ele, no twitter, disse que “alguém tinha que trazer emoção para a corrida e ele se orgulhava de tê-lo feito”;

– Com o resultado de hoje, temos uma briga boa pelo terceiro lugar no campeonato, com Vettel (111 pontos), Vertappen (100 pontos) e Leclerc (87 pontos). “Emocionante”.

Isolamento

Lauro Vizentim

Lauro Vizentim é Engenheiro Mecânico, trabalha há mais de duas décadas na indústria de automóveis. Gosta de criação, design e de... carros. Quando estes três gostos se juntam em uma corrida, tudo se completa. Acompanha a Fórmula 1 desde criança e colabora com o No Trânsito desde 2009.

2 Responses

  1. Glauco de F. says:

    A corrida foi tão boa que, por volta da vigésima volta, “aceitei” um convite para auxiliar na limpeza da geladeira… Um circuito chato com a divisão da reta mulsanne, um piloto acima do bem e do mal (Hamilton), e o pricipal piloto da Ferrari parecendo personagem de um antigo desenho animado (Lippy and Hardy).

    No caso, para Vettel tá faltando pouco para ficar igual a hiena do desenho acima, sempre pessimista (Oh vida, oh azar), e tendo ainda Charlinho Lec-Lec mostrando, parafraseando Arquimedes, que se derem um carro decente, “moverá” o campeonato…

    E como diria Vettel “Hardy”, oh vida, oh azar…

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