Nem choro, nem vela


Vettel vê o campeonato escapando depois de um final de semana que começou com um temporal e terminou na garagem ainda na terceira volta da prova. Hamilton comemorou mais uma vitória e a Red Bull colocou seus pilotos no pódio.

Equilíbrio de volta

A dúvida entre quem bateu em quem, Stroll ou Vettel, depois da bandeirada do GP da Malásia, não era mais relevante. Nem uma semana depois deste episódio bizarro, o GP do Japão era mais uma chance de Vettel diminuir a diferença que o separava de Hamilton na briga pelo título. Sem precisar trocar componentes do carro que poderiam lhe render alguma penalização, era tudo ou nada para o alemão continuar com chances razoáveis de ser o campeão da temporada.

E deu Vettel no primeiro treino livre, pelo menos um bom início para ele, mas Hamilton estava no seu encalço e fez o segundo tempo. Já na parte da tarde da sexta, se Noé estivesse correndo com sua arca seria sério candidato ao melhor tempo. É que caiu o mundo em Suzuka e poucos foram para a pista, como os carros da Force India e Williams, além de Hamilton, que fez a melhor marca desta vez.

Para o sábado, a previsão de chuva se confirmou, mas não era a precipitação atmosférica. A “chuva de prata” mesmo estava marcada para o sábado, com os carros da Mercedes devidamente ajustados e imbatíveis.

Hamilton não deu mole e foi embora. Vettel também, mas pra casa.

Hamilton não deu mole e foi embora. Vettel também, mas pra casa.

Bottas fez o melhor tempo pelo sábado de manhã, e confirmaria a dobradinha da Mercedes no treino oficial, já que Hamilton fez a 71ª pole da carreira, caso não fosse punido com cinco posições no grid pela opção da equipe em trocar o câmbio. Mas, na vida da Ferrari, a coisa também não era tão simples.

Vettel conseguiu o terceiro tempo, mas acabou na primeira fila pela punição de Bottas como dissemos, o que o obrigou a largar da sexta posição. Assim, também, a segunda fila ficou toda com a Red Bull, Ricciardo e Verstappen.
A terceira fila seria da Force India caso Bottas não empurrasse Pérez para a quarta fila, na sétima posição, se bem que o quinto tempo era de Raikkonen, mas, a exemplo do compatriota Bottas, o câmbio precisou ser trocado e o piloto da Ferrari foi para a décima posição do grid. O que será que acontece com o câmbio dos finlandeses no Japão, hein? Felipe Massa, em oitavo, e Stoffel Vandoorne, em nono, foram os outros pilotos que haviam passado para o Q3.

De destaque mesmo para o final do grid, as punições de Alonso, Palmer e Sainz. O espanhol da McLaren acabou largando em último, tendo como penalidade 35 posições no grid por troca de elementos da unidade de potência. Sainz e Palmer também, só que ambos receberam “apenas” 20 posições de punição. Coincidentemente, ambos faziam suas despedidas de suas respectivas equipes. É que Sainz vai pilotar pela Renault já no GP dos Estados Unidos, enquanto Palmer foi mais cedo para a fila do Pronatec, ficando desempregado o resto da vida, quer dizer, da temporada (maldade).

Com o carro bem equilibrado, Hamilton era todo confiança para a largada, enquanto Vettel, mais prudente, torcia para que alguma coisa o ajudasse. Dizem que até acendeu umas velas. Pois uma delas…

A ignição…

Hamilton largou bem e Vettel tentou dar uma pressionadinha, mas nada que o colocasse em chance de uma disputa realmente clara pela liderança. Os dois carros da Red Bull entraram na primeira curva lado a lado, e Verstappen assumiu a terceira posição. Quase todos passando limpo na primeira curva, exceto Vandoorne que foi conhecer a área de escape da Curva 1 mas voltou logo, um pouco mais atrás apenas.

Ocon (atrás de Bottas), chegou a andar em terceiro, mas acabou em sexto. Está amadurecendo o pódio do francês.

Ocon (atrás de Bottas), chegou a andar em terceiro, mas acabou em sexto. Está amadurecendo o pódio do francês.

As brigas ferrenhas aconteceram logo de início. Vestappen deu um passão em Vettel no “hairpin” que deixou o alemão sem reação, mas isso já era um sinal do grande problema que a Ferrari estava atravessando problemas de potência, detectados pouco antes do início da prova. E já na segunda volta, Vettel perdeu posição para Ocon, que tinha deixado Ricciardo para trás, do próprio australiando e mais de Bottas, todos eles em frente a arquibancada principal na reta dos boxes. Pelo rádio, o piloto alemão dizia que o carro não tinha potência.

De repente, Carlos Sainz escapa e os comissários decidem pela intervenção do safety-car pela posição perigosa do carro. Vettel, nesta altura já havia perdido posição para Pérez e Massa também, e a Ferrari decide por recolher o carro, obrigando o alemão a abandonar. Para quem precisava vencer, abandonar a corrida antes da terceira volta era um pesadelo.

No recomeço da corrida, Raikkonen mostrava muito apetite e vinha se recuperando, porque havia caído lá pro fundo do grid quando disputava posição com Hülkenberg e acabou saindo da pista. Mas o pessoal estava afim mesmo era de barreira de pneus, e Ericsson acabou indo fazer uma vistoria nos pneus porque, sabe como é, chove, acumula água, e o mosquito da dengue pode aparecer. Novo safety-car, só que o virtual agora.

No recomeço, Ocon, Ricciardo e Bottas fazem uma belíssima briga pela terceira posição. Ocon, apesar da boa largada, não conseguia ritmo suficiente e perdeu a terceira e quarta posições para seus adversários diretos.
Raikkonen continuava seu showzinho e fez uma daquelas ultrapassagens maiúsculas, por fora, no final da reta dos boxes. Podem até falar que ele é isso ou aquilo, mas é um campeão do mundo, não é qualquer um.

Depois das suas respectivas paradas, Ocon e Pérez retornaram atrás de Palmer, ainda fora da zona de pontos. Eu fico imaginando os dois retrovisores do Palmer voltados para o “outubro rosa”. Só que, quando pensou em aderir a campanha, os dois carros da Force India já haviam passado sem problema algum.

Dos que brigavam por pontos, Hülkenberg foi um dos últimos a parar para troca de pneus, mas não sem antes tomar outra bela ultrapassagem de Raikkonen, agora sem consequências e sem poeira por parte do piloto da Ferrari. O alemão da Renault voltou atrás de um “trenzinho” formado por Massa, Magnussen, Grosjean e Gasly.

Jolyon Palmer se despede da Fórmula 1. Então tá.

Jolyon Palmer se despede da Fórmula 1. Então tá.

Neste momento a corrida ficou meio bruta. A começar pela maneira sutil com que os mecânicos da Renault tentavam colocar no lugar a asa móvel do carro de Hülkenberg, que havia parado aberta. Na base do murro, e não deu certo. Apesar de não ter aumentado a avaria, Hülk abandonou a corrida lá mesmo.

Já na pista, Massa e Magnunsen se tocavam (espera, nada de sacanagem aqui, ok?) e quase sobrou para os dois. Sem maiores consequências, ambos continuaram, mas Massa ficou para Magnussen e Grosjean.

Mais que favorito

Lá na frente, Verstappen tinha um bom ritmo, não deixava Hamilton escapar, mas era quase que uma administração da diferença em favor do inglês. Bottas era quem voava na pista, tirando muita diferença para Ricciardo.

Foi neste momento, e faltando poucas voltas para o final, que Stroll deu um susto na torcida ao atravessar a área de escape com a suspensão direita avariada e o pneu do mesmo lado furado. Não, ele não teve culpa alguma, mas a habilidade de segurar o carro e não se deixar acertar por Ricciardo bem no meio do Williams foi digna de aplauso.

Mesmo com Verstappen tirando um pouco a diferença para Hamilton, parecia que não daria, e com o acidente de Stroll e a necessidade de mais um safety-car virtual, era praticamente impossível um ataque final. Só que teve um empurrãozinho na disputa.

Hamilton chegou para dar uma volta em Massa e Alonso, que brigavam pelo ponto de honra. Hamilton passou fácil por Alonso e Massa, mas Verstappen foi um pouco prejudicado pelo brasileiro. Depois da prova, o próprio Verstappen não sabia se teria conseguido a ultrapassagem sobre Hamilton. Quem chegou mais perto de uma ultrapassagem foi Bottas, que bateu a volta mais rápida da prova e chegou muito próximo de Ricciardo, mas o finlandês não foi convidado para tomar champanhe no pódio.

Raikkonen chegou logo atrás dos quatro carros da Mercedes e Red Bull, e a frente da dupla da Force India e da Haas. Além de Raikkonen, em quinto, Massa, em décimo, eram as “ovelhas negras” na lista dos dez primeiros que pontuaram em Suzuka.

Já é (eu acho).

Já é (eu acho).

Com a vitória e o revés de Vettel, Hamilton abriu 59 pontos de vantagem no mundial faltando apenas quatro corridas para o Mundial terminar. Matematicamente… bom, matematicamente ainda dá, mas é mais fácil a Terra girar ao contrário.

Ao desligar dos motores…

– Chegou ao fim a carreira de Palmer na Fórmula 1. Ele será substituído por Sainz já no GP dos Estados Unidos. Com isso, a vaga de Sainz na Toro Rosso vai ficar com Daniil Kvyat. Sim, ele está de volta;

– Pierre Galsy é outro que pode não correr nos Estados Unidos. Garantido para 2018, o francês pode ceder o lugar para alguém ainda não definido pelo staff taurino;

– A Honda foi mal em casa, mas Vandoorne continua em um crescente;

– Vettel praticamente perdeu o título, e pode também perder o vice para Bottas;

– O torcedor japonês é algo a parte. Que nunca deixe de existir este GP;

Lauro Vizentim

Lauro Vizentim é Engenheiro Mecânico, fez MBA em Administração e trabalha há quase duas décadas na indústria de automóveis. Gosta de criação, design e de carros. Quando estes três gostos se juntam em uma corrida, tudo se completa. Acompanha a Fórmula 1 há mais de trinta e cinco anos e escreve para o No Trânsito desde 2009.

2 Responses

  1. Fábio Abade says:

    Lauto é um gentleman de fatô!

    Dizer que MASSA atrapalhou só um pouco o VER é de uma sutileza que só o Laurão para pegar leve desse modo… kkkkk

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